Toda vez que vejo falar que uma cidade faz aniversário é noticiado nos meios de comunicação que esta cidade é feriado. Só aqui, dentre as grandes capitais, não temos direito ao feriado. Por que isto?
Acredito que há algo errado, não aceitável, no mínimo existe aí uma falta de consideração com aqueles que tiveram o prazer ou desprazer de ter nascido na "Baía de Todos os Santos".
Aqui é assim. Festa do Bonfim. Beleza! Festa popular religiosa, televisionada nos quatro cantos do Brasil e algumas partes do mundo,que tem inúmeros devotantes, que por sua vez não é feriado. Festa de Iemanjá. Outra festa onde muitos vem homenagear a rainha do mar em plena orla de nossa boemia praia do Rio Vermelho. É uma delicia participar desta. Lógico! Não é feriado, afinal de contas a festa não teria o mesmo brilho com tantos soteropolitanos dos mais diversos bairros mal estruturados de nossa cidade circulando - vejam vocês no Rio Vermelho -. Se o povo mesmo em sua maioria querer ir à estas festas de três uma: ou "joga para cima" o trabalho, queima e vai sobre ameças dos seus patrões de serem demitidos; ou estando de férias ou desempregado; ou se você é um privilegiado funcionário público, pois assim tudo fica mais fácil, ainda mais quando se tem festa.
No caso especifico de hoje, dia 29 de março, aniversário da cidade, não poderia ser diferente. Não poderia ser feriado, pois o povo tem que trabalhar mesmo tendo fama de que o bahiano não gosta de trabalhar... Preciso falar mais ou como uma pessoa bem próximo a mim costuma de vez enquanto comentar "preciso desenhar" para que vocês entendam onde quero chegar. Não né?!
Quando é que deixaremos de ser província?
Quando o povo dessa cidade terá dignidade, igualdade e o mínimo de respeito?
Nossa cidade só presta para aqueles que chegam aqui, ou moram aqui - que tenham e tragam dinheiro. Pois aqui estes fazem a festa, que muitas vezes tem como som de fundo, tantas músicas ritmadas com as mais diversas atuais baixarias, onde as mulheres se exibem com muita dedicação para serem vistas e desejadas diante dos olhos dos turistas que se deliciam com a nossa eterna batucada.
Mas apesar disso, não esqueçamos que festa é festa e a realidade fora dessa é outra. O Brasil como todo não tem lá esses respeito todo por esta terra. Ao contrario. Eles - de fora - quando estão de passagem, de férias por aqui. Aproveitam, curtem, esculhamba, pega as nossas mulheres, falam que a Bahia é uma alegria, que o povo daqui os recebem bem. Depois retornam as suas cidades, contentes com a folia proporcionada por esta cidade que está a disposição de todos, para seguirem suas vidas, suas rotinas. Aí meus amigos e amigas. Quando aparece um bahiano lá nos seus respectivos estados. Pronto! Acabou a simpatia, os comentários sobre o povo que soube bem acolher a eles. Somos literalmente discriminados, principalmente no sul do país e digo mais. Em muitos outros lugares do nordeste. Muitos tons de ironia e esteriótipos são diretamente relacionado a nós...
No mais para o povo de Salvador fica aí reflexão. Afinal de contas também sou filho daqui. Mas não posso dizer como vejo quase sempre dizer por aí. Que tenho orgulho de ser "baiano", pois sei o quanto precisamos melhorar para que realmente me sinta cidadão nesta cidade. E o pior! Que eu veja a boa parte da população que mora, trabalha, sofre e mesmo assim ainda sorrir e acolhe a todos que aqui vem nos visitar - alias é bom que sejamos assim -; mesmo com sua realidade, dificuldades e tantas injustiças sofridas.
A todos os soteropolitanos deixo meu abraço. Agora! Não esqueçam que aqueles que governam nossa cidade, nosso país não proporcionam ou buscam universalizar cidadania, mas sim buscam a todo custo o favorecimento próprio.
Como dizia um dos personagens do nosso recém, não mais presente, Chico Anysio - na figura do politico Justo Veríssimo:
"O povo que se exploda...". Não era atoa que ele - Chico - fazia essa critica.
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