quinta-feira, 29 de março de 2012

Salvador 463 anos de escravidão. Nada mudou!?

Toda vez que vejo falar que uma cidade faz aniversário é noticiado nos meios de comunicação que esta cidade é feriado. Só aqui, dentre as grandes capitais, não temos direito ao feriado. Por que isto?
Acredito que há algo errado, não aceitável, no mínimo existe aí uma falta de consideração com aqueles que tiveram o prazer ou desprazer de ter nascido na "Baía de Todos os Santos".
Aqui é assim. Festa do Bonfim. Beleza! Festa popular religiosa, televisionada nos quatro cantos do Brasil e algumas partes do mundo,que tem inúmeros devotantes, que por sua vez não é feriado. Festa de Iemanjá. Outra festa onde muitos vem homenagear a rainha do mar em plena orla de nossa boemia praia do Rio Vermelho. É uma delicia participar desta. Lógico! Não é feriado, afinal de contas a festa não teria o mesmo brilho com tantos soteropolitanos dos mais diversos bairros mal estruturados de nossa cidade circulando - vejam vocês no Rio Vermelho -. Se o povo mesmo em sua maioria querer ir à estas festas de três uma: ou "joga para cima" o trabalho, queima e vai sobre ameças dos seus patrões de serem demitidos; ou estando de férias ou desempregado; ou se você é um privilegiado funcionário público, pois assim tudo fica mais fácil, ainda mais quando se tem festa.
No caso especifico de hoje, dia 29 de março, aniversário da cidade, não poderia ser diferente. Não poderia ser feriado, pois o povo tem que trabalhar mesmo tendo fama de que o bahiano não gosta de trabalhar... Preciso falar mais ou como uma pessoa bem próximo a mim costuma de vez enquanto comentar "preciso desenhar" para que vocês entendam onde quero chegar. Não né?!
Quando é que deixaremos de ser província?
Quando o povo dessa cidade terá dignidade, igualdade e o mínimo de respeito?
Nossa cidade só presta para aqueles que chegam aqui, ou moram aqui - que tenham e tragam dinheiro. Pois aqui estes fazem a festa, que muitas vezes tem como som de fundo, tantas músicas ritmadas com as mais diversas atuais baixarias, onde as mulheres se exibem com muita dedicação para serem vistas e desejadas diante dos olhos dos turistas que se deliciam com a nossa eterna batucada.
Mas apesar disso, não esqueçamos que festa é festa e a realidade fora dessa é outra. O Brasil como todo não tem lá esses respeito todo por esta terra. Ao contrario. Eles - de fora - quando estão de passagem, de férias por aqui. Aproveitam, curtem, esculhamba, pega as nossas mulheres, falam que a Bahia é uma alegria, que o povo daqui os recebem bem. Depois retornam as suas cidades, contentes com a folia proporcionada por esta cidade que está a disposição de todos, para seguirem suas vidas, suas rotinas. Aí meus amigos e amigas. Quando aparece um bahiano lá nos seus respectivos estados. Pronto! Acabou a simpatia, os comentários sobre o povo que soube bem acolher a eles. Somos literalmente discriminados, principalmente no sul do país e digo mais. Em muitos outros lugares do nordeste. Muitos tons de ironia e esteriótipos são diretamente relacionado a nós...
No mais para o povo de Salvador fica aí reflexão. Afinal de contas também sou filho daqui. Mas não posso dizer como vejo quase sempre dizer por aí. Que tenho orgulho de ser "baiano", pois sei o quanto precisamos melhorar para que realmente me sinta cidadão nesta cidade. E o pior! Que eu veja a boa parte da população que mora, trabalha, sofre e mesmo assim ainda sorrir e acolhe a todos que aqui vem nos visitar - alias é bom que sejamos assim -; mesmo com sua realidade, dificuldades e tantas injustiças sofridas.
A todos os soteropolitanos deixo meu abraço. Agora! Não esqueçam que aqueles que governam nossa cidade, nosso país não proporcionam ou buscam universalizar cidadania, mas sim buscam a todo custo o favorecimento próprio.
Como dizia um dos personagens do nosso recém, não mais presente, Chico Anysio - na figura do politico Justo Veríssimo:
"O povo que se exploda...". Não era atoa que ele - Chico - fazia essa critica.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Jogos do Bahia x Vitória em nossa capital.

Neste último final de semana teve jogo do Bahia e Vitória e assim como em outros jogos questiono aqui junto as autoridades publicas que permitem tais eventos sobre a problemática que envolvem estes tem principalmente após a utilização do estádio de Pituaçu em plena Paralela com atual frota de veículos que circulam em nossa cidade.
Com esses jogos todos que precisam utilizar as vias que cortam o estádio terminam por se submeter aos tantos inconvenientes que estes jogos vem trazendo toda vez que acontecem.
Para se ter ideia esse ultimo jogo a São Rafael teve até que ser interditada para que uma das torcidas fossem escoltada.
Aí eu pergunto: E quem não vai para o jogo como fica? Pessoas com seus diversos compromissos, querendo ir trabalhar ou simplesmente chegar em casa sem poder, pois seu direito de ir e vir constitucionalmente garantido é violado? Isso é certo?
Basta acompanhar os acontecimentos para vê que as coisas não são mais como antes e a tendência é que os ânimos fiquem mais acirrados.
Se acontecer algo envolvendo negativamente as torcidas a ponto até de termos uma morte?! Isso por si só já é agravante não? Agora imagina se acontece algo à alguém que nem mesmo estaria envolvido no jogo, apenas de passagem, por conta de uma bala perdida ou algo desta natureza?
Na minha opinião nossa cidade, tão precária em tantos aspectos, não pode favorecer, entregar nossas vias a um grupo de torcedores, enquanto ficamos todos correndo risco de sermos vitimas da barbárie seja ela qual for (antes ou depois dos jogos). Algo tem que ser feito.
Acabar, proibir os jogos. Não dá. Faz parte da cultura tais eventos. Alias isso já vem desde do tempo de Roma, com as lutas dos gladiadores no Coliseu. Quem entende sabe a relação de manipulação que funcionou lá e funciona aqui até os dias de hoje.
Agora! Se a cidade não tem condições estruturais para tais eventos, estes não deveriam acontecer e se acontecer temos que ter a certeza de que nada irá acontecer de negativo.
Pergunto. Quem pode dá esta certeza? Quem assume publicamente aqui que esses eventos no contexto social, cultural atual em que vivemos? Quem? me digam!
Acho que ninguém é tão louco para tal. Não é mesmo!? E se for que assuma aqui para que todos vejam...

Assim começo

A partir de hoje passo a comentar assuntos diversos sobre aquilo que vivo, passo e sou submetido aqui na cidade de Salvador